Pedro é um dos membros mais antigos e activos da Comunidade Portuguesa.
Ser um dos primeiros do hobby, nunca foi fácil. Sair à descoberta de outros como ele com os mesmos gostos em Portugal começou por ser uma complicada tarefa.
Olá Pedro.
Oi!
- Queres começar por falar como tudo começou?
No LEGO?
Não tenho grande consciência disto. Lembro-me de ter algum DUPLO em bebé, e de haver algum LEGO BASIC no meu infantário. Ao que consta, os meus pais souberam que eu passava bastante tempo com a caixa do LEGO e experimentaram comprar um (o 530); pouco tempo depois comecei a ter alguns conjuntos pequenos, e não tardou a que só pedisse LEGO como prenda (os incumpridores eram olhados com uma expressão que hoje considero insolente).
- Nunca passaste por uma Dark Age?
Nunca. O pior ano para mim foi 1998, em que apenas comprei um ou dois sets (só para “picar o ponto”). A verdade é que o catálogo nesse ano também não tinha muita coisa que me agradasse… não houve nunca um afastamento deliberado, antes pelo contrário, sempre que podia procurava LEGO, comprava LEGO, construía LEGO.
Nunca senti que a argumentação dada para abandonar o LEGO fosse válida. Velho demais para brinquedos? Isso é o mesmo que dizer que há idade-limite para fazer férias. Nem sinto que tenha tido de escolher entre o LEGO ou outra coisa qualquer.
Ao contrário do que aconteceu com Marcos Bessa que sem o conhecer de algum lado lhe dei dormida, bem,desta vez foi o Pedro que me acolheu, estávamos em 2004.Uma noite de conversa com seus pais foi o suficiente para ajudar a conhecer melhor as nossas origens.
A partir deste momento que a minha história com o LEGO cruza com a história do Pedro, as aventuras e os dissabores por momentos foram os mesmo que apesar de fazerem parte do nosso passado, ficaram na memória.
O choque de opiniões e atitudes marcaram mudanças do Hobby em Portugal a partir de 2006.
- Queres comentar resumidamente este “pedaço” de história?
Quero. Mas não vou alongar-me: basta dizer que a palavra “não” custa muito, mas por vezes é precisa mesmo quando mais ninguém sabe as razões, mesmo quando mais ninguém nos vê futuro depois de a proferir. O verão de 2006 foi muito marcante para mim, a todos os níveis. E sinto-me muito contente por ter avançado em todos os projectos em que me meti nessa época.
A Comunidade 0937 surgiu para falar de LEGO; convenci-me da sua necessidade quando deixei de falar de LEGO onde era suposto. E sinto-me bastante satisfeito com a manutenção desta postura de não tratar de outras questões – esta excepção que aqui abro é mesmo para explicar a regra.
A Comunidade 0937 deu um passo muito importante quando decide fazer o primeiro encontro.

0937Nine
- Qual foi a 1ª sensação ?
“Uh! Presunto!”
Fora de brincadeiras, foi reconfortante saber que havia gente interessada em LEGO de qualidade, a ponto de investir o seu tempo na Comunidade. Gente que aparecia a medo, mas entusiasmada e com vontade de se lançar de cabeça num projecto voltado para as ideias. Foi isso que encontraram.
Foram aparecendo sempre membros e mais membros, até que se formou um grupo coeso e determinado a levar em frente o bom nome da Comunidade e de Portugal.
- O que tens a dizer sobre isto e para ti qual a importância desse grupo?
Procuro ir conhecendo todos os membros que aparecem em encontros, e sinto que há curiosidade, quase “fome” de fazer coisas melhores. A característica que mais me interessa na Comunidade é a capacidade de auto-superação. E também a capacidade de levar a cabo projectos, grandes e pequenos, que têm muito amor lá metido. Apraz-me saber que ninguém aqui considera o LEGO uma “coisa”, mas sim como o seu meio de expressão. Isso une-nos.
- Explica qual o papel na Comunidade.
As tarefas são relativamente simples, mas levam algum tempo e envolvem bastante discussão interna. Isso é bom. A nossa probabilidade de cobrir todos os ângulos de um problema aumenta quando temos gente informada a /argumentar/, em vez de mandar bitaites – conseguimos criar uma equipa bastante eficaz nisto.
Para ser franco até que a actividade “pesada” tem sido cada vez menor, há quase uma rotina estabelecida, no bom sentido. Há algumas dúvidas dos membros, há algumas chamadas de atenção quanto à ortografia e sintaxe (fazemos gala de impedir o “pitoguês”, o “SMSês”, e outras variantes análogas), há a coordenação de informação, a preparação de eventos, a moderação/organização do fórum, o tratamento e preparação de conteúdos (por alguma razão se lembram de mim quando é para escrever!). De uma forma simplificada, há que manter a casa arrumada. E motivar.
Ao 7º Ciclo, foste nomeado como LEGO Ambassador, ligado directamente à Comunidade 0937.

- Podes dizer quais são as funções de um embaixador perante a lego e perante a Comunidade?
Grosso modo, é servir de telefone. Eu comunico propostas da LEGO à Comunidade, e centralizo/trato o feedback recolhido dos membros. Do ponto de vista da LEGO já me explicaram que é uma forma mais prática de acompanhar as Comunidades; do nosso ponto de vista é um reconhecimento. Há vantagens em ambos os sentidos, num ciclo virtuoso de investimento mútuo.
Isto não quer dizer que não possa vir a haver outras tarefas pontuais, mas não estou a mentir se disser que de momento não estou envolvido em mais nada./Existem coisas que nós (Afol´s) não sabemos e ansiamos sempre por tentar saber mais cedo. Informações, Notícias, novidades de última hora, imagens.
- Calculo que já tens acesso a conteúdo “privado” . É fácil gerir esta situação?
Até agora não tive acesso a nenhum conteúdo privado (no sentido de “altamente secreto”, entenda-se) e não fui contactado nesse sentido. A ser, e as mudanças no programa LA não permitem extrapolar muito, terei de cumprir com o que me comprometer. Isso não me tira sono.
Para ser franco, não estou à espera de ficar conhecedor de segredos. Já foi tempo disso; agora para esses fins deve haver outros recrutamentos.
- Em última análise , como vês o crescimento do Hobby em Portugal ?
Lento, mas seguro.
O modelo de negócio da LEGO tem vindo a mudar, e não mais me parece razoável esperar que o LEGO se venha a tornar num produto de apelo para as massas. Não se irá democratizar. A boa notícia somos nós que a damos: as comunidades de fãs irão compensar de certa forma porque se irão tornar núcleos de consumo intensivo de LEGO ou – e isto para mim ainda é melhor – núcleos de superação. O maior motor que estimula o consumo de LEGO é a capacidade de superação e não o coleccionismo.
Acredito que o futuro do hobby passe em grande medida por uma vivência comunitária… numa comunidade como a nossa interessa menos o que compras do que o que és capaz de fazer.
Obrigado por teres dado uma mãozinha!