26
Mar

Este catálogo LEGO de apenas 6 páginas segue muito a linha do primeiro catálogo que aqui falei (link). Aborda veículos e edifícios à escala Legoland e penso que tenha sido lançado em 1971 porque todos os conjuntos presentes foram editados entre 1969 e 1971.

Interessante é que noto neste um português ainda mais datado e os preços nos conjuntos mais baratos aumentou cerca de 10% (de 18$oo para 20$00) e pouco mais de 20% nos da segunda gama (de 26$00 para 33$00).

Nesta imagem é bem evidente a promoção das casas, coisa que não acontecia no catálogo de 1970. Das poucas peças LEGO que herdei dos meus irmãos mais velhos, facilmente reconheci a casa do conjunto 345. Tive a oportunidade de a comprar mais através do eBay como falei neste meu post no LegOficina. Boas recordações :)

Outro ponto a verificar, é a presença em vários conjuntos de peças articuladas. Curiosamente dois dos conjuntos da página acima, estão presentes na página em baixo com o respetivo camião transportador.

Na última pagina está presente um dos conjuntos que acho mais marcante neste tema, o 605. Um veículo utilitário que voltaria estar presente em 1976 no 368 numa versão ligeiramente diferente. Em 1979 voltaria a ser revisitado num formato muito diferente (o 608) e já com a presença de um minifig (que nesta altura ainda era um complemento ao veículo).

É pá.. ao escrever este artigo tive várias vagas de nostalgia.. foi falar da casa, do táxi e por fim, falar dos minifigs quando ainda eram complementos ao brinquedo de construção.

20
Mar

Incentivado pelo trabalho do espanhol Blastem, em que abordarei mais tarde, comecei a digitalizar parte da minha colecção de catálogos LEGO. A primeira prioridade são as peças que possuo da primeira metade da década de 70 do século passado.

Estes catálogos são uma autêntica cápsula do tempo, não só em relação aos conjuntos LEGO, mas também à forma de publicidade que era feita na altura. Uma excelente fotografia da sociedade europeia da altura. Apesar de serem em português, facilmente se percebe que eram concebidos no norte da Europa e mais tarde traduzidos e adaptados à realidade portuguesa.

O catálogo não refere a que ano é dedicado, como os actuais, mas todos os conjuntos foram lançados em 1970 e portanto acredito que seja desse ano ou, no máximo, de um dos dois anos seguintes. Era natural haver algum atraso nas novidades em Portugal na altura.

Este exemplar, que neste artigo reproduzo na integra, tem apenas 6 páginas e promove uma nova linha de pequenas miniaturas de automóveis à escala dos edifícios “Legolandia” que a LEGO tinha introduzido no ano anterior. É incrível como a LEGO consegue tornar estes pequenos carrinhos em algo reconhecível com poucas peças e, ainda mais importante, com uma variedade de peças extremamente limitada para os padrões actuais. Basta comparar com Tiny Turbos que pululam nas prateleiras dos hipermercados.

Os veículos reproduzidos abordam temas bem recorrentes na LEGO como os bombeiros e as ambulâncias, mas também alguns não tão comuns como o camião de transporte, o camião de transporte de combustíveis (Shell), camião-guindaste, um carro antigo e um carro utilitário com caravana. Por fim temos a zorra que provavelmente tem a primeira representação de um ser humano feita pela LEGO para uma escala próxima dos minifigs actuais.

De salientar na última página a presença de um quartel dos bombeiros, verdadeiro percursor dos conjuntos que ciclicamente a LEGO lança no mercado. De notar neste quartel a presença de uma ambulância e de um camião-guindaste que actualmente nunca aparecem neste tipo de conjuntos. Talvez denote que a LEGO na altura ainda estava agarrada às origens (Billund, cidade natal da LEGO não chega a ter 5000 habitantes) onde este tipo de estrutura englobava vários serviços.

Como curiosidade é verificar o português utilizado. Além da ortografia própria da época (“fóra”, “gazolina”) há a adaptação forçada de uma expressão estrangeira (“Legolandia”) e o recurso a um discurso onde se repete demasiadas vezes algumas palavras (“Legolandia”, “carros”). Outro ponto é a ausência de pontuação em partes do texto.. que o torna bem confuso.

Outro ponto a verificar são os preços dos conjuntos. Os veículos estão divididos em duas gamas de preços, 18$00 e 26$00 (respectivamente cerca de 9 cêntimos e 13 cêntimos). Não está indicado o preço do quartel. Se tivermos em conta o salário mínimo de 3500$00 em 1974 (salário mínimo fora agricultura e serviços domésticos no ano em que foi introduzido em Portugal) o sets de gama baixa custariam 0,5% do salário mínimo. Pelo outro lado um Tiny Turbo actual custa cerca de 1% do salário mínimo actual. Claro que esta comparação é um pouco abusiva visto que foi extremamente simplificada.

Nos próximos dias conto colocar aqui mais alguns catálogos da década de 70.

06
Fev