autor: LBaixinho Categoria:
LEGO
Incentivado pelo trabalho do espanhol Blastem, em que abordarei mais tarde, comecei a digitalizar parte da minha colecção de catálogos LEGO. A primeira prioridade são as peças que possuo da primeira metade da década de 70 do século passado.

Estes catálogos são uma autêntica cápsula do tempo, não só em relação aos conjuntos LEGO, mas também à forma de publicidade que era feita na altura. Uma excelente fotografia da sociedade europeia da altura. Apesar de serem em português, facilmente se percebe que eram concebidos no norte da Europa e mais tarde traduzidos e adaptados à realidade portuguesa.

O catálogo não refere a que ano é dedicado, como os actuais, mas todos os conjuntos foram lançados em 1970 e portanto acredito que seja desse ano ou, no máximo, de um dos dois anos seguintes. Era natural haver algum atraso nas novidades em Portugal na altura.

Este exemplar, que neste artigo reproduzo na integra, tem apenas 6 páginas e promove uma nova linha de pequenas miniaturas de automóveis à escala dos edifícios “Legolandia” que a LEGO tinha introduzido no ano anterior. É incrível como a LEGO consegue tornar estes pequenos carrinhos em algo reconhecível com poucas peças e, ainda mais importante, com uma variedade de peças extremamente limitada para os padrões actuais. Basta comparar com Tiny Turbos que pululam nas prateleiras dos hipermercados.

Os veículos reproduzidos abordam temas bem recorrentes na LEGO como os bombeiros e as ambulâncias, mas também alguns não tão comuns como o camião de transporte, o camião de transporte de combustíveis (Shell), camião-guindaste, um carro antigo e um carro utilitário com caravana. Por fim temos a zorra que provavelmente tem a primeira representação de um ser humano feita pela LEGO para uma escala próxima dos minifigs actuais.
De salientar na última página a presença de um quartel dos bombeiros, verdadeiro percursor dos conjuntos que ciclicamente a LEGO lança no mercado. De notar neste quartel a presença de uma ambulância e de um camião-guindaste que actualmente nunca aparecem neste tipo de conjuntos. Talvez denote que a LEGO na altura ainda estava agarrada às origens (Billund, cidade natal da LEGO não chega a ter 5000 habitantes) onde este tipo de estrutura englobava vários serviços.

Como curiosidade é verificar o português utilizado. Além da ortografia própria da época (“fóra”, “gazolina”) há a adaptação forçada de uma expressão estrangeira (“Legolandia”) e o recurso a um discurso onde se repete demasiadas vezes algumas palavras (“Legolandia”, “carros”). Outro ponto é a ausência de pontuação em partes do texto.. que o torna bem confuso.
Outro ponto a verificar são os preços dos conjuntos. Os veículos estão divididos em duas gamas de preços, 18$00 e 26$00 (respectivamente cerca de 9 cêntimos e 13 cêntimos). Não está indicado o preço do quartel. Se tivermos em conta o salário mínimo de 3500$00 em 1974 (salário mínimo fora agricultura e serviços domésticos no ano em que foi introduzido em Portugal) o sets de gama baixa custariam 0,5% do salário mínimo. Pelo outro lado um Tiny Turbo actual custa cerca de 1% do salário mínimo actual. Claro que esta comparação é um pouco abusiva visto que foi extremamente simplificada.
Nos próximos dias conto colocar aqui mais alguns catálogos da década de 70.