Dez

Depois de 1 ano a trabalhar num novo tema, sem poderes falar com os AFOL´s sobre as tuas novas criações explica-nos qual é a sensação de não poderes abordar diretamente o tema?
Deu-me um bocado cabo dos nervos no começo. Vinha da postura de AFOL e caí de para-quedas no berço da LEGO onde tudo era novidade, tudo era confidencial, tudo era desconhecido cá para fora… E eu sempre fui uma pessoa altruísta e de partilhar… ehehe… Pelo menos no que diz respeito a informação e conhecimento.
Mas obviamente que consegui habituar-me à minha nova postura perante a marca e sendo então um LEGO Designer acabei por aprender a viver com a informação dentro de mim, guardada a sete chaves. Foi realmente estranho nos primeiros meses, continuar a seguir os fóruns e ler todas as especulações e não poder fazer parte delas… Mas ao mesmo tempo, posso dizer-te que tenho dado valentes gargalhadas às vossas custas nos tópicos em que falam de rumores….. ahaha
De todos os set´s qual é aquele que te deu mais gozo fazer?
De todos os que fiz até agora, o meu favorito ainda não viu a luz do dia. Terão de esperar mais uns meses…
Mas destes três que já saíram, o meu favorito é mesmo o 6863 Batwing Battle Over Gotham City: foi a primeira tarefa que recebi emt termos de sets e revelou-se um grande primeiro desafio dentro da empresa. Tive a tarefa algo ingrata de recriar um set antigo, mas com um orçamento bastante inferior. Estou bastante satisfeito com o resultado final.
Tendo em conta o tema, achas que é um tema para vingar nos próximos anos?
Sem dúvida que é um tema com imensa longevidade na minha opinião. De há uma década para cá, o universo de Super Heróis tem estado particularmente presente no nosso quotidiano através dos imensos filmes que vão estreando no cinema. É certo que este mundo de seres especiais e nobres já existe há muito mais tempo, quer em Comic Books, quer em séries televisivas, mas foram sem dúvida as adaptações cinematográficas que lhe deram um especial destaque a nivel global. E como as grandes produtoras não parecem estar a planear tirar férias de filmes de Super Heróis, e pelos últimos que têm saído, o público também não parece nada cansado (pelo contrário!), diria que o tema veio para ficar!
Na minha opinião, este tema será de maior êxito nos USA do que na Europa.
Achas que é um produto mais virado para um público mais específico ou achas que vai acabar por atingir todo o público amante de LEGO?
Seria ingénuo da minha parte não admitir que os miúdos americanos são muito mais ligados ao universo de Super Heróis que os europeus (refiro apenas estes dois mercados por serem os mais significativos). E acontece isto por motivos óbvios: é de lá que vêm quase todos eles… Mas honestamente acredito na qualidade do tema e os produtos criados têm valor por si só, não os vejo apenas como acessórios a “packs de minifigs”, como venho lendo em alguns comentários de AFOLs, portanto, acredito que seja um tema que vá resultar a nível global (ainda que admita uma provável diferença de resultados entre estes dois mercados mencionados).
Construir um set destes, parece-me algo difícil e moroso. Podes falar alguma coisa sobre o processo?
Para já a principal dificuldade está em colocar-nos no papel de um miúdo de 6 anos (ou 5 ou 7, visto que viz um set para cada idade) e perceber quais são as principais limitações e capacidades inerentes à sua idade. E depois esquecer o papel de AFOL que construía para “inglês ver” e passar a ser um profissional que está a criar o que para muitos é nada menos que o melhor brinquedo do mundo! Existe uma série de factores e aspectos a ter em conta no processo de desenhar um set, como sejam o público alvo, o preço estabelecido para o produto final e que nos limita desde logo, a “construbilidade” (acho que inventei uma palavra! eheh), isto é, cada peça colocada no modelo que estou a criar tem de ter uma forma lógica, simples, prática e o mais inequívoca possível de ser usada, por forma a melhorar ao máximo a experiência de construção e evitar assim frustrações no consumidor (que são as crianças). Depois há todo o processo de investigação, busca por inspiração, referências, ideias para funções que possam adicionar “play-value” ao set, técnicas e/ou combinações de peças inovadoras… É um processo que de facto está longe de ser fácil, mas é isso que o torna tão interessante!
Tenho visto muitas críticas relacionadas com os teus set´s, tanto positivas como negativas. Qual é a sensação de estares a ser avaliado constantemente por AFOL´s, visto também teres sido um AFOL?
É algo com o qual já estava a contar. E sei o quão “ferozes” os AFOLs podem ser, já os conhecia antes… eheh… Mas tive tempo ao longo deste ano para me habituar à ideia de que nunca iria agradar a gregos e troianos. Então agora estou perfeitamente descansado, consciente que fiz um bom trabalho e que no fim a opinião das crianças é que realmente importa (e ainda ontem vi um video-review feito por dois irmãos de 5 e 7 anos que me deixou com um sorriso de orelha a orelha!). Há de chegar o dia em que me vou preocupar com a opinião dos AFOLs quando lançar o meu primeiro Direct…
Já agora e para finalizar, qual é a sensação de teres os set´s que lançaste numa campanha televisiva mundial?
B-R-U-T-A-L!!! Estou nas núvens… agora sim, sei que faço parte da história da LEGO, já deixei uma modesta pegada no seu percurso… E sendo tu também um AFOL apaixonado pelos bricks coloridos como eu, acredito que percebas perfeitamente o quanto isto significa!
Muito obrigado pelas tuas respostas! ![]()
Espero continuar a acompanhar de perto as tuas construções !





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