10
Nov

Algumas avaliações que aparecem em relação a sets e MOCs são-me bem intrigantes. Parecem que são realizadas através do coração, não são nada ponderadas, demonstram uma total falta de critérios e com uma subjectividade que roça o infinito.

Um dos objectivos de uma avaliação é servir de termo de comparação, que neste caso, será com outros sets e MOCs. Por isso se dermos um valor a x e dermos um valor mais baixo a y, estaremos sempre a dizer que x é melhor que y. Quando dizemos isso, é bom que o fundamentemos minimamente e que utilizemos os mesmo critérios em ambas avaliações. Utilizar critérios diferentes seria adulterar a comparação e enganar quem lê a nossa avaliação.

Mas para podermos fundamentar a nossa avaliação, é preciso saber o que estamos a fazer. Quando avalio, decomponho sempre a minha avaliação em vários aspectos. Por exemplo num set, posso avaliar as peças, o desenho, o processo de construção, a jogabilidade, o realismo, o aspecto e resistência da caixa, as instruções, etc, etc etc.. e até nostalgia! Depois de sabermos tudo o que poderemos avaliar num set, podemos então escolher e dar pesos diferentes a cada um. Por exemplo, como sou tendencialmente um construtor, a característica “peças” é-me mais importante que a característica do realismo da construção. Depois de definirmos o peso de cada característica que decidimos avaliar, é necessário saber como avaliar cada uma delas. O que merece a nota mínima, o que é satisfatório e o que é excelente. Basicamente saber de antemão o que pretendemos na avaliação de cada uma das características.

Depois de definirmos isto é que poderemos começar a avaliar sets e MOCs, sempre utilizando os mesmos critérios para termos uma base de comparação minimamente justa.

Claro que aqui falo sobre o hobby LEGO, mas acho que pode aplicar-se a muitas outras coisas…

20
Ago

Dando continuidade ao meu percurso no post Eu e o LEGO I.

Em meados de 2006 (Agosto) o Baixinho falou-me de um projecto. 0937 era o nome. Ele fazia parte do “lote” , tal como a Tânia e o Pedro Silva que fundaram a Comunidade.
Ele já me tinha dado uns toques onde sempre disse que sim . “Sim , anda com isso” , “Avança” , “Eu também quero fazer parte” , “Quero ajudar no que for preciso”.

PIMBA  , aparece a Comunidade 0937 !
Foi anunciado pela primeira vez no blog do Baixinho no dia 20 (faz exactamente hoje 3 anos)

Depois do admin , quem está inscrito ? Eu . Américo Verde.
Ajudei na altura a testar o fórum. Ligado desde o meu início no hobby ao TECHNIC , convidou-me para ser o Moderador daquele tema, disse que sim … Apesar de ainda estar numa altura em que … estava em “recuperação”. Não regressei logo ao hobby, demorei mais uns tempos. Cerca de 1 ano afastado.

Apareço novamente no 1º encontro da Comunidade 0937.

Estavam lá novos membros, uma mesa com gente nova. Gente alegre,sorridente, bem disposta, com um sorriso de orelha a orelha, ainda meios perdidos!!! Uma sensação boa que tive quando entrei naquela sala, mesmo boa.
Claro que entre estes novos estavam as “velhas” caras, Luís Baixinho , Tânia , Bernardo Relvas,Figueiredo, Einon e o Pedro Silva. São caras “velhas” do LEGO e que acompanharam praticamente o meu percurso no LEGO em Portugal.

Tinha adormecido e apareci lá no final do almoço… Acontece-me às vezes…
A partir daí faço parte da história da 0937, eventos em quase todos os cantinhos de Portugal  , encontros , viagens até Barcelona , TOMARLEGO.

Como definir esta Comunidade? Das melhores experiências que já tive, sem margem para dúvida.
LEGO, amigos, verdadeiros amigos, rir, forum, muitas horas, muitos posts,  festas, minis, pousada de Viana,Barcelona, Abrantes e a aventura junto ao rio, Viseu ,Tomar, Porto, Vila Praia de Âncora, Leiria, Porto Alto, barrigas, mais rir, BULK ORDERS, “500 euros!!!!” , “Queres que te bata ou que te espanque?”, “Hoje já não brincas na playzone, brincas com as tuas peças”, “Pergunta à Tânia” , “Fala com o Baixo”, Radioactividade, Agnelo , maluco, grande maluco, grande amigo.

Não vale a pena escrever muito mais , o gosto pelo hobby  regressou , a vontade de estar nas exposições , de saltar, gritar , falar com as pessoas, receber os mais novos, explicar que existe tanta coisa que o hobby nos traz, não são só as peças que nos unem, mas também uma amizade que começamos a sentir uns com os outros. Começamos a gostar de estar nesses encontros, de não os querer falhar por nada.
Colocas em causa outras relações às vezes para poderes estar presente nos encontros de LEGO.

Fico contente por saber que o faço. Por ainda acreditarem em mim e saber que as pessoas gostam da minha presença e saber que contam sempre comigo. Já me ajudaram nas alturas boas e nas más.

20
Ago

Como disse no post Eu como AFOL , gostava de explicar o meu percurso com o meu hobby favorito. (é grande a história)
Já o fiz de palavra e as pessoas ficam admiradas como pessoas com uma idade diferente dos 4 ou 16 anos ainda “brinca” com LEGO.
Tudo o que aqui está escrito é o MEU percurso , MEU e a MINHA opinião. De mais NINGUÉM, que fique bem claro.
Também não pretendo mandar “recados” a ninguém, mas aviso que pode ferir algumas “almas” .

Em criança, brinquei com LEGO. LEGO e Playmobil eram praticamente os meus brinquedos em casa. Construía as casas, as garagens, as armadilhas, os muros das fortalezas para os bonecos dos Playmobil. Depois fazia as cidades só com LEGO com o meu primo César… bem mas aqui vão uns valentes 16/17 anos.

Quando comecei a trabalhar na Ancorensis, comecei a ficar familiarizado com o Mindstorms, visto ser um dos projectos que já tem uma tradição naquela escola. Quem estava à frente desse projecto ? Nem mais que o Baixinho(que é alto como o raio)
O Luís era a “criança grande” lá da zona, estava à frente do projecto e comecei a falar com ele aos poucos, porque a confiança também não era muita. Sempre fiquei com a sensação que no início fui um chato ! :D
E quando fui a casa dele? Meu deus… então é que chateava… para lá voltar.

Naturalmente comecei a mexer nos pequenos projectos que lá estavam e começar a interessar-me também porque era possível programa-los.
Apareceu a 1ª exposição de um grupo de entusiastas LEGO da qual o Luís e a mulher (Tânia) faziam parte.
Convidaram-me para ir e lá fui… os dias todos, tirei centenas de fotos, levei a Beatriz, levei o César , não saí de lá praticamente!!!
Até deu para fazer compras e tudo, conheci outros entusiastas LEGO em que fiquei totalmente admirado na altura…
Pessoas já com “juízo” , alguns carecas,outros com uma barba enorme, uma grávida quase a rebentar que por acaso no fim dessa exposição nasceu o “moc” deles. :D :D

Com o tempo fui-me habituando aos números dos set´s, ao nome das peças, às variadas cores que são produzidas, aos termos próprios como MOC, MOD, SET, BURP, etc… e chateando o mesmo de sempre até que me comecei a comunicar com os outros entusiastas…
Em conversa o Baixinho convida-me a ir a Évora, iria ser formada a 1ª Associação de Utilizadores de Lego em Portugal.Eu claro que fui , era mais uma hipótese de rever aquelas pessoas e falar sobre o hobby.
6 da manhã acontece uma das coisas que não me esqueço mais. Estávamos sentados na estação de comboio em Viana do Castelo, a brincar com o campo de hóquei e a senhora da limpeza estupefacta a olhar para nós… “Dois maluquinhos, pensou ela…”

Uma viagem acelerada com o Pedro Silva, Luís Baixinho e o Vítor. Acelerando o passo, estávamos em Setembro de 2004 quando foi fundada por 14 pessoas a PLUG – Associação Portuguesa de Utilizadores de LEGO.

Oficialmente era um dos membros mais novos a construir assumidamente LEGO em Portugal , era um verdadeiro utilizador de LEGO , UAU!

As coisas corriam bem, faziam-se encontros, exposições, eventos … Era tudo o que eu queria. Falar de LEGO, partilhar as ideias e as construções que iam aparecendo, fazer perguntas aos mais velhos, mais experientes, era realmente bom.

Resumidamente e sem entrar em grandes pormenores, as coisas começaram a correr mal em meados de 2006.
Com toda a situação instalada no seio da Associação, vários membros abandonam e eu acabo por fazer parte desse “lote”, ainda que indirectamente, porque ainda resisti mais uns meses e acabei “excluído” do grupo.
“Excluído”, porque se calhar levantava muitas questões ou era inoportuno quando escrevia. Caramba , as minhas mensagens na mailing list passavam completamente ao lado. Era um puto e ninguém me ligava nenhuma!!!
De vez em quando o telemóvel tocava… Era alguém para falar comigo sobre a minha situação… Bla Bla Bla…
Resumindo a história , cortaram-me os acessos. Nem uma única explicação!!!! NADA! Simplesmente um… “Ficaste sem o acesso por falta de pagamento das quotas”… Falta aqui a explicação do porquê do não pagamento das quotas… Mas isto não interessa… Escrito não interessa… por telefone falamos de tudo… mas por escrito e as respostas que ficaram por serem dadas…  “Até logo e um abraço”  Fiquei lixado! Mesmo !  NAS HORAS MESMO!

Uma aposta num hobby que correu mesmo mal. Investia naquilo e acabo “excluído” de uma coisa que ajudei a aparecer.
Há coisas que não se entendem, mesmo!
Praticamente desisti do hobby… não comprei nem toquei em peças durante meses… não foi só por causa disto , mas grande parte da motivação tinha desaparecido. A alegria não era a mesma. Nem de perto..
Reconformei-me na altura com a ideia , hoje as coisas teriam sido bem diferentes… muiiiiiiiiito diferentes.

Ficaram algumas coisas boas daqui ? Nada.
E as pessoas? Bem, algumas sim, pessoas que apesar de terem aceitado como as coisas se desenrolaram e ter ficado zangado com elas, tiveram coragem de falar comigo, passado muito tempo, mas fizeram-no.
Só me lembro de um me perguntar como estava passado pouco tempo depois (uns meses).
Se o remorso matasse ou ferisse a sério, alguns estavam bem tramados.
Hoje em dia , mantenho contacto com 3 ou 4. Ainda tenho respeito  por eles.
Nomes? Não vale a pena.
Fogo , correu assim tão mal? Correu, pior era quase impossível.
Vale a pena falar sobre isso? Não. Não vale. É mesmo uma experiência para esquecer.
Valeu a pena a experiência? Sim, para se saber o que é bom, primeiro temos de saber o que é mau.
Um resumo disto? Está no passado e vai continuar assim.
Triste? Hoje não , ainda bem que aconteceu. Foi das melhores coisas que aconteceram vendo bem a minha relação após este “incidente”.