Jun
A Internet ofereceu ao mais comum dos mortais a possibilidade de emitir e difundir a sua opinião. De repente as pessoas podiam deixar de ser simplesmente treinadores de bancada, mas tinham também a oportunidade de poderem difundir a sua opinião aos quatro ventos. De repente qualquer pessoa podia ser crítico de cinema, de livros, de tudo.
A dificuldade passou a ser separar o trigo do joio. Da multiplicidade de opiniões que se lêem na Internet sobre um determinado assunto, interessa distinguir quem realmente sabe e tenta dar uma opinião útil e séria, de quem, por ignorância ou não, emite considerações tendenciosas, fracas e por vezes falsas.
Estando mais ligado ao hobby LEGO, e sendo um hobby relativamente pequeno a nível de adesão internacional, deu para ter a oportunidade de observar este fenómeno. Se nos limitarmos à realidade portuguesa então é que este fenómeno torna-se deveras interessante.
Como já ando neste hobby há mais de 10 anos; como já construí e analisei centenas de conjuntos dos mais variados temas; como ando relativamente atento às novas peças, aos MOCs mais relevantes, às novas tendências e modas de estilo de construção, às próprias novas técnicas de construção; por construir e também por várias das minhas criações serem apreciadas pelos meus pares. Por isso tudo sinto-me em condições de apreciar uma construção e conseguir emitir uma boa opinião pessoal, fundamentada e útil para quem não anda tanto nestas andanças.
Mas olhando para o lado assisto a isso de outros AFOLs portugueses?
Sim e não.
Já li artigos, de pessoas com ou sem obra construída de valor, onde vi boas opiniões e que por vezes até contrárias daquilo que penso. Mas opiniões fundamentadas e que no mínimo me abriram uma nova perspectiva sobre determinada construção, técnica, estilo, etc.
Mas também é normal ler barbaridades de pessoal que por saber escrever (mal ou bem) se acham detentores de uma sabedoria que não possuem no hobby. É-me difícil de dar crédito a uma opinião vinda de pessoas que só sabem construir pelo livro de instruções ou que a técnica mais avançada de construção além do empilhar peças é utilizarem um brick headlight para mudar a orientação de uma peça; a pessoas que mal sabem o que se passa lá fora a nível de tendências de construção; a pessoas que limitam-se aos conhecimentos gerados no seu mundinho fechadinho com um número bem limitado de amigos e que possuem uma má permeabilidade para as novidades constantes deste magnífico passatempo.
Por isso sinto-me à vontade de não só apreciar as imagens dos vários eventos LEGO que decorreram em Portugal como também de declarar abertamente que a nível qualitativo o Arte em Peças não teve par.
A minha visão poderia ser perturbada pela presença no evento, mas a verdade é que só estive na montagem e não vi nenhum dos displays inteiramente completo. O apreciar de fora deu para balançar melhor as imagens e filmes que foram disponibilizados na Internet pelos participantes e visitantes dos vários eventos. De por “frente a frente” displays e perceber onde estavam os pontos positivos e negativos de cada um deles. A verdade, e não estando a expor aqui uma apreciação detalhada, é que o Arte em Peças não teve um único mau display. Dois deles coloco-os na excelência, quatro coloco-os no muito bom e os restantes giram à volta do bom e satisfatório. Coisa que não aconteceu em outros eventos onde apesar de existirem displays cativantes.. a verdade é que existiam displays em que a qualificação de medíocre é bem simpática.
A Comunidade 0937 congratula-se e bem pelo sucesso alcançado no Arte em Peças. Torna-se agora necessário obter um outro tipo de reconhecimento. Muitos dos membros da Comunidade já experimentaram o reconhecimento internacional das suas construções.. chega a altura de colectivamente ter-se esse reconhecimento dos displays da 0937. Coisa que não me parece estar tão longe como parece!
LBaixinho

